A democracia, em tese, é o governo do povo pelo povo, mas nós brasileiros sabemos que, infelizmente, nem sempre nosso sistema de representação trabalha pelo bem da coletividade, sendo inúmeros os casos em que a administração pública é prejudicada por interesses particulares, verdadeiros boicotes ao andamento do nosso país.
Por isso tudo, acredito que a Lei Complementar nº 131 sobre Responsabilidade e Transparência na Gestão Pública, em vigor no último mês de maio, seja um motivo para novas esperanças em relação à saúde de nossa democracia.
De acordo com o conteúdo da lei complementar, a transparência pública, que já era princípio fundamental em nosso país, agora será exigida de forma mais específica, saindo da generalidade que dava espaço para manipulações e desvirtuamentos.
Em defesa da transparência pública, destaco os principais dispositivos da nova lei:
“Incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos” - ou seja, a população terá que participar diretamente das discussões acerca das decisões administrativas.
“Liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público” - toda informação sobre gastos e créditos terá que ser divulgada amplamente ao acesso público pela Internet e melhor, em tempo real.
“Quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e, quando for o caso, ao procedimento licitatório realizado” – aqui fica bem claro que não haverá mais possibilidade de um ato administrativo ser realizado sem ampla publicidade. O motivo é óbvio. Todo ato administrativo tem como objetivo o interesse público, logo, a sociedade deve poder saber minuciosamente o que está sendo feito em seu nome, do começo até o fim.
A Lei Complementar nº131 é uma vitória para o nosso país. Mas toda lei somente trará benefícios se for fiscalizada, e essa fiscalização quem faz somos nós. Portanto, transparência é um direito que se deve exigir, não podendo mais haver portas fechadas e transações secretas na gestão pública, de forma que ressalto o artigo 73-A:
“Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para denunciar ao respectivo Tribunal de Contas e ao órgão competente do Ministério Público o descumprimento das prescrições estabelecidas nesta Lei Complementar.”
Somente conhecendo nossos direitos e deveres poderemos construir uma cidadania sólida e eficaz. Somente com atos transparentes poderemos enxergar o que está sendo feito de nosso país!










